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Ela comeu minha bota preferida. Três chinelos, duas sandálias, várias revistas, rolos e rolos de papel higiênico. Ela subia na cama, no sofá, andava no box molhado e deixava a casa cheia de marca de patinhas. Ela ocupava a casa inteira, inclusive nossos corações. Hoje a casa tá vazia, o coração também. Mas ela foi feliz, muito feliz, e nos fez mais feliz ainda. Vou sentir falta da minha 'najinha'. Se existe céu de cachorro, ela tá lá, pegando o brinquedo e levando, 549 vezes... coitado de quem tiver jogando, vai cansar. Eu vou mais eu volto.
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Com o tempo, a idade, a preguiça, sei lá... aprendi. Eu já tive medo de gente (gente com o mínimo de sanidade, diga-se de passagem). Medo de grito, xingo, de cara feia, de mentira e até de verdade. Medo de ser reprovada, julgada, medo que me deixassem, que me abandonassem, que me mandassem embora, que não me encontrassem, medo de não ser legal, apesar de todos meus esforços pra ser super política, etc, etc Medo de professor, de encarregado, de chefe, de síndico, de mãe, de sogra, de namorado, de qualquer pessoa que pudesse me olhar atravessado, falar alto, esbravejar ou bufar. Hoje, um olhar feio pode ser raiva ou fome. Um grito, chilique ou desabafo. Uma palavra ácida, frustração ou simples sarcasmo. Um palavra áspera, despeito ou receio. Um olhar torto, indigestão ou estrabismo E assim por diante... Grita, esbraveja, bate na mesa, soca o telefone, quebra copo, chuta o que tá por perto ou esmurra a parede... e eu olho. Não sou de ferro, também aprendi que quem muito abaixa mostra a b...
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Essa semana fui roubada. Dentro do meu trabalho. Bolsa e carteira com tudo dentro. Pra coisa ficar mais animada, levaram meu tênis também. A sensação de vazio é indescritível, chegar em casa, sem dinheiro, sem as chaves, sem documento... Não tem a bolsa pra arrumar antes de dormir, não ter o batom preferido antes de sair pro trabalho, a bolsinha de moedas que livrava o lado na padaria, carregador do celular e mp4. O chaveiro de cabeça de urso (o corpinho se perdeu com o tempo), a bolsinha que eu tinha desde a época da faculdade, o RG com cara de criança ainda... Nada de valor material, mas, ó... parece que o chão saiu debaixo dos pés. Eram minhas coisinhas! Antes de voltar pra casa, foi um tal cancela daqui e dali, boletim de ocorrência, fila no poupa tempo... dia seguinte também. A tristeza veio só a noite, a raiva, ao amanhecer. Não foi sonho, não tinha bolsa, carteira, chaveiro de cabeça de urso nem batom. Vazio assim... Comecei escrever esse post terça feira, um dia depois do roubo...
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Tem dias que eu acordo pra brilhar... Coloco meu vestido longo vermelho, com muito brilho moleton de ficar em casa , meu salto louboutin havaianas , pego meu microfone cravejado de swarovski vassoura , improviso uma barra de pole dance rodo , faço um penteado clássico nos cabelos prendo com uma caneta e faço um show privê pra uma platéia seleta e refinada (Laurinha, minha cachorra). Subo no palco meu sofá e canto I want to break free , acompanhada por Freddie, em seu show no wembley stadium no dvd . Nasci pra fama!!! Eu vou mas eu volto.
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Todo dia, voltando do trabalho, fico pensando em todas as coisas que quero escrever. Abro meu livro duas páginas antes da que parei, pra me certificar daquilo que estava lendo, mas os pensamentos vão longe duas páginas seguinte. O trabalho tem me feito mais forte em todos os sentidos, não esperava, depois de tantos anos, precisar dar respostas firmes, em tons mais altos que os de costume, afim de mostrar que sou segura no que faço e falo. Não que eu goste, mas se faz necessário. Perder o dia porque o colega de trabalho (que ele prefere chamar de funcionário) teve uma idéia melhor ou uma solução diferente e eficaz pro problema? Não dá pra acreditar. Praticamente um cabo de guerra. Não existe coisa pior que nego ignorante, que leva tudo a ferro e fogo e faz disso sua melhor qualidade. Juro que tento entender todo o processo... a infância difícil, a maneira com que foi tratado pelos pais, cada conquista pessoal, profissional, 'olha que beleza, de onde veio e onde chegou!' De que ...
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A farsa nossa de cada dia... Quem nunca inventou uma vida perfeita, onde tudo funciona, todo mundo é bacana e os problemas quase não existem? Não inventei, mas deixei que muitos dos meus acreditassem nisso. Confesso que, de tanto idealizar, quase acreditei que pudesse existir. Quase. Quem quase vive já morreu, diria Drummond. E quem quase acreditou, se fudeu, diria eu. Se hoje eu disser que nem tudo anda bem, os olhares de espanto certamente me condenarão. 'Mas se não vai bem, a culpa é sua!' A culpa que tem que ser sempre de alguém. Por que não pode apenas ter dado errado? Quero discussões sem ganhadores, quero erros sem culpados, quero a vida com problemas. Quero argumentar, tentar acertar e conseguir resolver. Talvez uma nova história ou um novo começo. Como diria sei lá quem, não dá pra mudar o começo, mas dá pra fazer um outro final. Como dizem, não?? Mas será que também fazem? Quem muito fala, pouco faz e pra variar, ando falando demais Ah, vida real... como é que eu troc...
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Sem tempo. Resposta dada quase sem pensar, tantas vezes, pra justificar algumas ausências. Sem tempo pra ligar, pra aparecer, pra bater um papo, pra entrar no msn... Eu achava que não tinha muito tempo, até me sentir sem tempo de verdade. Rotina apertada e cansativa, trabalho pesado, clima denso, pessoas de culturas diferentes, chefe tripolar, busão lotado, fora o combo casa+cachorro+marido. Coisas que sempre fiz e que mudaram sem me avisar. É, vida real... eu sabia que você não era fácil, mas não pensei que ia ser tão punk assim. Estou (re)aprendendo, respirando fundo aos poucos pra não faltar o ar, fazendo uma coisa de cada vez e buscando o meio termo tão falado aqui. O buraco dessa vez tá mais embaixo. Bem feito, já julguei tanto, hehe Bem feito nada, é a minha vez de ralar e enfrentar o problema, enquanto um monte de gente vai pensar 'ah, só isso?' fácinho assim'! Daqui há pouco eu me acostumo e volto pro meu consultório, analisar a vida alheia e encontrar super soluçõe...
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"Minha vida é difícil, nada vai pra frente..." Discurso comum, triste, mas que não me sensibiliza. Nem é por maldade, mas com o tempo a gente aprende. A casca engrossa, o coração já não amolece apenas com as palavras, pois de nada adiantam as palavras, inda mais as de piedade. Cada atitude conta, cada furo no olho do coleguinha, cada maldade intencional, cada filhadaputice calculada. Todo mundo erra e com certeza já deve ter feito mal à alguém, muitas vezes sem intenção. Ok, de boa intenção o inferno tá superlotado, não me isento da possibilidade de encontrar cazamiga por lá, mas com a consciência tranquila. E quem faz a cagada e a consciência continua tranquilinha? Resta sentir pena, ignorância sem tamanho. Acho que burrice é doença contagiosa e que ignorância tem cura, desde que se tenha boa vontade. A ignorância aqui, não é a falta de estudo ou de cultura, é ignorância por opção, por conveniência. Ignorantes que acham bonito ser assim. (insira aqui quem judia de animal, cu...
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Então, eu tenho um cão. O que era pra ser uma companhia agradável, melhor amigo do homem, criatura fiel e dócil, está acabando com meus dias de sono. Sim, senhoras e senhores, após 12 anos da maravilhosa experiência da maternidade, virei mãe de uma bebê peluda com 45 dias. Não posso deixar qualquer tipo de calçado no chão e minha área de serviço recebeu um finíssimo revestimento de jornal. Saídas aleatórias são cercadas por preocupações e momentos de descanso intercalados com brincadeiras, com a intenção de cansar a fera, para que ela não acorde durante a noite. Tentativa frustrada, já que ela acorda com a maior disposição para brincar, como se não houvesse amanhã. Latidinhos e chorinhos se confundem com o sono, resultando em cutucões e resmungos dizendo 'vai você porque ontem eu fui' ou então 'vai que a filha é sua'. As manhãs sempre trazem novidades, desde a ira porque a pequena esqueceu o caminho da área de serviço (na verdade, descubro em seguida, não deu tempo), a...
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7 meses em casa. 7 meses longe de casa. Porque minha casa pode ser tanto aqui em casa quanto lá em casa. Ainda não me sinto a vontade de falar 'lá em casa' quando estou na casa da minha mãe, nem de falar 'lá em casa' quando estou aqui na minha casa. Quando estou na minha mãe, entro de uma vez no chuveiro e lavo o cabelo, na certeza que meu secador vai estar na mão, e quando saio me dou conta, putz, tá lá em casa. Quando estou aqui, abro o guarda roupa seca por aquele casaquinho velhinho e gostoso de passar o dia no inverno, e descubro que ele está lá em casa. Saudade de casa. O frio da sala, as portas estreitas dos quartos, a mesa da cozinha, o piso quadriculado, o cheiro de café. O corredor e o quintal, onde aprendi andar de bicicleta, fiz cabaninha com as amigas, escapei da minha mãe e até dei beijo escondido. O quartinho de bagunça do meu avô, onde se encontra de tudo, tendo um bocado de paciência. O banheiro, palco de tantas cantorias e prêmios imaginários. Meu quar...