26 de junho de 2010


Então, eu tenho um cão.
O que era pra ser uma companhia agradável, melhor amigo do homem, criatura fiel e dócil, está acabando com meus dias de sono.

Sim, senhoras e senhores, após 12 anos da maravilhosa experiência da maternidade, virei mãe de uma bebê peluda com 45 dias.

Não posso deixar qualquer tipo de calçado no chão e minha área de serviço recebeu um finíssimo revestimento de jornal.
Saídas aleatórias são cercadas por preocupações e momentos de descanso intercalados com brincadeiras, com a intenção de cansar a fera, para que ela não acorde durante a noite.
Tentativa frustrada, já que ela acorda com a maior disposição para brincar, como se não houvesse amanhã.
Latidinhos e chorinhos se confundem com o sono, resultando em cutucões e resmungos dizendo 'vai você porque ontem eu fui' ou então 'vai que a filha é sua'.
As manhãs sempre trazem novidades, desde a ira porque a pequena esqueceu o caminho da área de serviço (na verdade, descubro em seguida, não deu tempo), até a alegria
por ela ter feito apenas o número 1 ao lado da caminha. O número 2 foi no jornal.
Menos mal.

Era tudo tão calmo.
Chegar do trabalho, ligar a tv e o computador, fazer um café e por em ordem a casa.
Mais tarde, uma comidinha talvez, um bate papo, jornal, novela, filminho...
Agora os braços vivem arranhados por dentinhos afiados, as meias somem, papéis são destruídos e brinquedos ficam espalhados pela casa.
Revezamento entre lavar área de serviço e passear com a criatura, e a já conhecida frase 'vai você porque ontem eu fui'.

Nos primeiros dias pensei em desistir.
Mas os olhos atentos, rabinho abanando e a cara de contente quando chego em casa me fizeram mudar de idéia.
Um focinho gelado encostado na minha perna, me chamando pra brincar, me mostrou que a vida é bem mais que essa rotina preguiçosa.
Quando ela vem, toda desajeitada, feliz por estar aqui, lembro que a vida é troca.
Eu jogo a bolinha e ela me traz, fazendo uma alusão à vida.
Coisas simples, que várias vezes já esqueci.
E quem diria, essa tranqueirinha me trouxe devolta.

Pensando bem, lavar a área de serviço todo dia não é a pior coisa do mundo e algumas noites mal dormidas nunca fizeram mal a niguém.

Eu vou mas eu volto.

4 comentários:

Sarneba disse...

Mais um big show de reflexão da moça da poça!Ri muito!

R.K disse...

Fabi, eu desisti de ter cachorro qdo tive o primeiro... sei o que vc ta passando! hahaha boa sorte!

Bianca Zanatta disse...

APOIADAAAAAAA!!!! Na boa, essas pequenas criaturas (ou enormes e trambolhentas, no caso do meu "cãozinho") enlouquecem a gente. Deixam tudo sujo, fedido e cheio de pêlo, comem o que não pode e acabam com os móveis. Mas só quem tem um desses em casa sabe que não tem nada que acalme mais do que dividir o espaço e a vida com alguém que não pede nada além de carinho e um pouco de atenção. Lealdade, amizade, bem-querer... Tem coisa que a gente aprende mais com um cachorrinho do que com muita gente por aí. E eu não me incluo fora dessa! Beijos nas mocinhas da casa - todas elas.

Elaine disse...

Lembrei de "Marley e Eu"... =)