28 de janeiro de 2012


Tive a sorte de descobrir que sou capaz, mas não é pelo fato de ser mãe que deixo de concordar com cada palavra desse texto.
Sei que erro, às vezes, muito.
E não existe essa de errar pra acertar, tem que assumir o erro e pronto.
Não existe mãe perfeita, assim como não existem filhos perfeitos também.
Respeito demais quem não os tem.
Cada um sabe até onde vai seu amor e sua dor.
Se não sabe, com o tempo descobre...

  "Filho é para quem pode! 
 Eu, não posso! 
 Apesar de ser biologicamente saudável. 
 Não posso porque desconheço o poço sem fundo das minhas vontades, porque às vezes sou meio dona da verdade e porque não acredito que um filho há de me resgatar daquilo que não entendo ou aceito em mim. 
Acredito que a convivência é um exercício que nos eleva e nos torna melhores, mas, esperar que um filho reflita a imagem que sonhamos ter é no mínimo crueldade.  
Não há garantias de amor eterno e o olhar de um filho não é um vestido de seda azul ou um terno com corte ideal. Gerar um fruto com o único intuito de ser perfumada por ele no futuro é praticamente assinar uma sentença de sal. 


 Filhos não são pílulas contra a monotonia, pílulas da salvação de uma vida vazia e sem sentido, pílula “trago seu marido de volta em 9 meses”. 
 Penso que antes de cogitar a hipótese de engravidar, toda mulher deveria se perguntar: eu sou capaz de aceitar que apesar de dar a luz a um ser ele não será um pedaço de mim e portanto não deverá ser igual a mim? 


Eu sou capaz de me fazer feliz sem que alguém esteja ao meu lado? Eu sou capaz de abrir mão de determinadas coisas em minha vida sem depois cobrar? Eu sou capaz de dizer “não”? 
Eu quero, mesmo, ter um filho, ou simplesmente aprendi que é para isso que nascemos: para constituir uma família? 


 Muitas das pessoas que conheço estão neurotizadas por conta de suas relações com as mães. 
Em geral, são mães carentes que exigem afeto e demonstração de amor integral para se sentirem bem e, quando não recebem, martirizam os filhos com chantagens, críticas e cobranças. As mães podem ser um céu de brigadeiro ou um inferno de sal. 
Elas podem adoçar a vida dos filhos ou transformar essas vidas numa batalha diária cheia de lágrimas, culpas e opressões. 


Eu, por exemplo, não consigo ser um céu de brigadeiro nem para mim mesma, quiçá para uma pessoinha que vai me tirar o juízo madrugadas adentro e, honestamente, acho injusto colocar uma criança no mundo já com essa missão no lombo: fazer a mamãe crescer. 


 Dar a luz a um bebê é fácil, difícil é ser mãe da própria vida e iluminar as próprias escuridões."

Créditos: Monique Mantora

 Eu vou, mas eu volto

26 de janeiro de 2012


Feriado fail.
Meio de semana, amanhã trabalho normalmente, e tenho uma casa inteira pra limpar.
Roupa pra lavar.
Cachorro pra cuidar.
Um filme pra assisir, embora já saiba que não vai dar tempo, pois também tenho uma amiga pra visitar.
Visita rápida, já que a geladeira tá descongelando.
Passadinha no mercado, já pensando onde vou guardar o quê.
Volto rápido, geladeira pra limpar, roupas pra pôr no varal.
Mudar a planta de vaso.
Pausa pro jornal.
E não é que já tá começando a novela das 8?
Nossa! Não é mais as 8, começa as 9...
Hora de sentar, conversar e contar como  foi o dia
O corpo já pede outro banho, assim como pede cama, já prevendo que daqui há pouco é hora de levantar e sair pra trabalhar, nem se dando conta que hoje é feriado.

Eu vou mas eu volto.