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Sobre matar um amor.

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Volto, depois de alguns anos e encontro alguns rascunhos empoeirados. Entendo que, qualquer coisa que se dê início é mais fácil que um remendo. Mas, movida a apegos peculiares, pego a planta baixa pra começar a reforma. Uma única estrutura arquitetônica, para moradias distintas num mesmo endereço, separadas por alguns anos - e uns fios de cabelo brancos a mais, que disfarço melhor que meu humor. ... Eu, que tenho por hábito ouvir podcasts de crimes, sempre me pego pensando no crime perfeito. Seria aquele que não deixa rastros? Aquele cujo assassino é cirúrgico? Ou aquele que nunca é descoberto? Talvez o crime perfeito seja cometido por uma pessoa comum, sem sociopatias, que tenha o controle emocional de esquecê-lo na sequência. Resultado de pequenas mortes que nos fortalecem.como um centauro - o instinto animal em junção à inteligência humana, numa metáfora das ações dos homens numa situação de perda de controle. No curso da vida, em vários momentos, todos morremos e de modo paradoxal,...
Da série, quando a vida muda eu escrevo. Escrevendo pra quem não lê, desde 2006. Cheguei aos quarenta e cinco, dos trinta onde comecei. Mudando o enredo, pra não seguir a rima Um copo de vinho e uma rufles meio murcha, cachorro deitado no meu pé, gata querendo dividir comigo o teclado e filha deitada no quarto . Assim é estruturada minha nova rotina familiar. Olho acima da tela, vejo flores no aparador. As comprei hoje a tarde. Olho os livros na estante, os mesmos, do decorrer da vida. Olho as plantas em cima do armário. Verdes, mas tão verdes, que me orgulho do meu trabalho. Me tornei uma exímia cuidadora de plantas. Correndo os olhos pela sala, vejo um quadro do Neruda, tão sonhado, exatamente onde imaginei E ao seu lado, Sidharta, o Buda, exatamente onde o deixei. Os ouvidos, ouvem a tv, num jornal, bem baixinho E se fizer força, lá fora, o barulho do mar. Alguns barulhos, na casa do vizinho Quase a silenciar. Em pouco tempo, troco todos os sons, pelos do teclado Em uma noite comemo...
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Domingo, 22 de março, quarto dia de quarentena. Décimo dia em casa. Décimo dia desde que voltei. Muitas pessoas pensando no mundo. o que pra mim, é algo normal, pois sempre pensei, sempre tive essa consciência. Em meio a uma pandemia, eu respiro, porque a TERRA respira. Isso soa como um conforto. Hoje, meu pensamento é voltado pra minha vida. O que eu fiz até aqui. Se meus amigos pudessem me aconselhar, me falariam pra recuar. Ouço mentalmente, minha mãe, com suas poucas palavras me questionando sobre minhas decisões. Eu, como nunca fui 'todo mundo' sigo. Respirar etomologia do latim respirare respirato . ato de respirar respirare . formado por RE + spirare, 'respirar' propriamente
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E já foram tantas despedidas, e indas, e vindas e indecisões... que hoje compreendo meu apego por tudo que é meu. Como uma pessoa que tem dificuldade até mesmo pra limpar a lixeira do notebook iria se desfazer facilmente de tantas memórias? Estou com quarenta e quatro anos. Assim mesmo, escrito por extenso, porque me orgulho da minha idade. Comecei escrever entre os 16 e 18, numa época que computador não era acessível. Fiz muitos cadernos, que foram desfeitos em momentos de tristeza. Ficou a lição: se um dia me desfizer de algo, que seja em plena alegria! Hoje estou triste, fechando um ciclo. A tristeza é por não saber como fechar, ou pelo apego que esse ciclo, enorme, por sinal, me trouxe. Desfiz meu altar e fiz minha mala. E aqui vou eu pra onde tudo começou, interna e externamente. E aqui estou de novo! De novo? É... alguns hábitos não mudam. Sou uma pessoa que erra muito e hoje entendo o ditado DE BOA INTENÇÃO, O INFERNO ESTÁ CHEIO. Estou fazendo as pazes com meus erros, tô ...
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É amanhã meu grande reencontro. Já passei por várias fases e pensamentos, desde que aceitei participar desse retiro. Tive medo do silêncio, da minha má postura, da minha má alimentação... Passei pelo medo de deixar minha vida aqui fora, casa, trabalho, filha, marido, cachorra e gata. Vou deixar celular, agenda, coisas pessoais... Tive dor de barriga, dor de dente, tive surto de organização, mas hoje estou tranquila. Estou aceitando o presente. Serão 10 intensos dias. 12 horas diárias de meditação 15 horas de jejum 240 horas em silêncio Estou feliz por ter buscado isso, e hoje consigo enxergar que é coisa antiga... que projetei esse dia ao longo dos anos. Falta 1 dia.
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Sonhos recorrentes. Noite mal dormida. Selo as pazes com minha ansiedade. Acordo, aperto sua mão e agradeço. Muito obrigada, passe mais tarde. Mais tarde, talvez, possamos tomar uma xícara de chá de cidreira, e aí eu te explico que não é a hora que você quer. Faltam 5 dias.
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Desde que nos conhecemos, não passamos mais que dois, talvez três dias sem nos falar. Antes do primeiro encontro, lia suas palavras imaginando seu tom de voz. Quinze anos se passaram e sua voz é como tatuagem em minha pele. Serão dez dias sem te ouvir. Sem falar com você. Sem falar pra você. Talvez eu ouça sua voz, talvez recorde suas palavras. Faltam 6 dias.
Uma menina queria muito uma boneca. Desejou, pediu, resmungou, espalhou aos quatro ventos seu desejo. Ela chegou em um dia sem motivo, veio em forma de presente, e a menina descobriu, num ímpeto susto, que a boneca não cabia em seus braços. O que fazer com essa boneca tão grande e desajeitada? Brincar, oras. Brincar por partes, separar, esmiuçar, organizar, espalhar e juntar. Pode-se começar pelos sapatos ou a trançar seu cabelo. Tirar e vestir as roupas, numa cumplicidade de amigas, fazendo assim as pazes com o brinquedo maior que o esperado. E ao longo de alguns dias, viram-se feitas uma para a outra. Ter nos braços aquilo que acredita não caber. Hoje me sinto assim. Recebi o tão esperado email do curso de meditação vipassana. Serão 10 dias em silêncio. Nobre silêncio, segundo eles. Absoluto silêncio, segundo os leigos. Ensurdecedor silêncio, segundo os inquietos. Absurdo silêncio, segundo os oradores. Enlouquecedor silêncio, segundo os pessimistas. Ape...
Tenho visto muitas pessoas pedindo menos morte às mulheres. Menos espancamentos, agressões, crueldades. Acho perfeito. Acho lindo tudo isso, de verdade. Mas vocês já perceberam que a morte de uma mulher não se dá só dessa forma? Não é só o marido ou namorado machista que pede pra trocar a saia curta. É o cara que aceita qualquer tipo de roupa, mas que a constrange na frente dos amigos ou familiares. É o cara que a interrompe a cada frase, ou que faz questão de não rir de suas piadas. É o cara que não trai, mas que conta em casa dos amigos que fazem suas companheiras de boba, pra deixar a mulher esperta. É aquele cara que fala o tempo todo que quem não dá assistência, perde pra concorrência. É o cara que só lava a louça pra fazer média, ou pra conseguir com mais facilidade uma noite bacana. O cara que tem uma personalidade na rua, ou nas redes sociais, e outra completamente diferente dentro de casa. O cara que só percebe aquilo que faz falta, que não tem tempo pra nada que não...
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E se eu pudesse dar um conselho, seria esse Simples e complexo Fácil e difícil Involuntário e necessário. Respirar fundo cura Evita Equilibra. Não sei se sento pra recordar ou que passou ou se me apego nos momentos que parei pra respirar. Passou Anda passando, afinal, a vida segue Segue o barco e o fluxo Seguem pulmão e diafragma Subindo e descendo, inflando e esvaziando Paralelo à vida. A pontuação é a respiração da frase, já dizia um famoso alguém A respiração transcende É translúcida e Passa pelo tempo Ela salva, pra quem nela crê. Ela se faz haikai Respira                            Entre a boca e o pulmão                    Cabe um universo.
Então estou aqui. Bato os sapatos pra não trazer a poeira dos últimos acontecimentos e pra tentar resgatar alguma coisa,  sem saber exatamente o que de alguns anos atrás. A Fabiana de 2016,  quase 17,  volta pra dizer que a blogosfera não é mais a mesma. E também pra dizer que a palavra blogosfera caiu em desuso. Ela vem,  como alguém que vem do futuro, dar notícias do passado. Deu tudo certo. Do jeito errado.  Mas certo. Ela ainda sabe escrever em terceira pessoa e continua não se importando se alguém vai ler. Ela sempre associou imagens às palavras. Mas as palavras,  são presentes pro futuro,  e as imagens,  somente um agrado pros olhos Presente pro o futuro... Irônico, não? Não. Esse post não tem imagem, os olhos estão fechados. Então segue o baile, em braile Como a Valsa,  de Casimiro de Abreu. Não negues Não mintas ...
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8 meses. Longos meses. Quase um filho.  Quase um parto. Tempo de mudança, de reflexão forçada. de vida corrida, de altos, de baixos, de idas e vindas. Fechei a conta, passei a régua, abri um negócio, matei uma parceria. Perdi uma amizade, ganhei um batalhão! Entrei pra academia, perdi uns quilos.  Entrei pra yoga, ganhei um pulmão.  Resenha pronta. Eu volto com os detalhes...
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Pra ler ouvindo, mas sem dramas, por favor. Então eu volto aqui e lembro que há meses atrás eu iniciava um projeto. Deu tããão certo, que eu nem lembro qual era. E a vida deu tantas voltas quanto um filme amador de baixo orçamento. Juro, queria estar juntando os cacos. Seria tão mais fácil, já que estou fazendo o caminho inverso. Mas nada que dure uma vida inteira. Assim como o arco iris vem depois da chuva. Assim como ninguém morre de amor... Bem blasé, rs Tô seguindo, tentando tornar o amor real, se é que isso existe. Eu vou mas eu volto.
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Novos projetos são sempre bem vindos. Então, me entrego sem medo. Receio, talvez... Tenho um grande problema com meu ego, outro grande problema com meu signo e um outro maior ainda com meu temperamento, mas nada como o tempo pra amenizar os problemas. A terceira lei da espiritualidade, ensinada na Índia, diz 'toda vez que você iniciar, é o momento cert o'. E assim sigo acreditando, independente de ego, de horóscopo e temperamento Foco no novo projeto, lembrando que ainda é projeto. Tenho tempo pra ele e pro resto, antes que me consuma por completo. Usando e abusando do meio termo e os pés no chão. Agora vai! Eu vou mas eu volto.
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Saudade dos blogs de 2004. 2005, 2006... Mas foi em 2004 onde tudo começou. Onde descobri um universo de palavras, de diários virtuais a poesias e de críticas e autocríticas a questionamentos que poderiam mudar o mundo. Pessoas revolucionárias, talvez, sem saber, Escritores sem leitores fiéis, mas de registros certos. Acompanhei, senti e me alimentei de universos tão diferentes do meu. Tomei gosto pela escrita de forma simples, sem me preocupar com regras ou críticas. Fiz amigos e fiz um amor pra vida inteira. Tudo era rápido, intenso, extremista e democrático. Mas o a la carte dos blogs perdeu espaço pro fast food das redes sociais. Os textos bem escritos (ou seriam bem interpretados?) se transformaram em tópicos - mais interpretação, menos opinião. Tento acompanhar, mas sou saudosista. Antiquada. Prefiro a modernidade de 8 anos atrás. Eu vou mas eu volto.
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Quem fica, sente saudade do todo, quem vai, das pequenas partes... Quem fica vê o presente. Acredita, torce, acontece. Quem vai, se contenta com os gerúndios. Acreditando, torcendo, acontecendo. Lentamente. Hoje, não me lembro bem como é ficar.  Esqueci em algum livro, gaveta ou esquina. Hoje eu sou quem foi. Quem deixou o presente pra trás e mergulhou no gerúndio acreditando - redundantemente - em dias melhores. Que vieram. Que se foram. Que virão. Amanhã? Talvez, futuro.  Dias melhores, visão de quem ficou. Eu vou, mas eu volto.
Tudo tão perto e tão distante. Está alí, mas os braços não conseguem alcançar. Não adianta pôr a culpa em Saturno, que não tolera sentimentalismos, tem que ter coragem pra ser sentimental. Nota mental - não esquecer a estratégia! Estratégia entre tragédias, próximas e pessoais... taí uma coisa difícil. Então, relembro Saturno, que não não tolera o medo e a insegurança. Ah, sr Saturno... Mas eu vou te entender, e vou me explicar pra você. Se me cobra, eu acato. Não sou tão fácil assim, mas entendo. O tal do manda quem pode e obedece quem tem juízo. Vamos fazer as pazes e esperar tudo dar certo. Que os excessos sejam doces, que o trabalho seja abundante, que a dispersão se disperse. Eu vou, mas eu volto.
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  Mais um fim do mundo! Fim do mundo com cara diferente, fim do mundo cheio de planos pro ano que vem. Vai ter apagão? Vai ter ventania? Vai ter ressaca do mar? Vou ficar sem internet? Vou conseguir falar com a minha mãe? Não sei... Mas volto aqui pra contar. Um bom fim do mundo a todos e um ótimo recomeço. Porque na primeira chance, a gente sempre erra. Aproveitemos a oportunidade! Eu vou, mas eu volto.
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A ingenuidade tem um preço alto. Já me ferrei muito por ser ingênua. Uma palavra que não gosto, prefiro tonta. Associo ingênua a menina branquela, magrela e bv. Não que magrelas e branquelas não sejam lindas, são - quem dera eu ser magrela e branquela. Mas as magrelas e branquelas nesse caso, são aquelas que continuam bv por falta de opção, em primeiro lugar e covardia, logo em seguida. Voltando a ingenuidade tontice... Uma pessoa tonta não percebe aquela coisa óbvia que, quando percebe, não acredita que não percebeu. Aaaaargh! ódio infinito de si. Uma pessoa tonta não vê maldade nos comentários e não entende farpas, até que se encontra no meio delas, geralmente jogada pela malícia. Ao contrário da magrela e branquela, a malícia é a menina corada e gostosona. Entende todas as sacadas, cantadas, jogadas e rodadas. Está sempre bonita na foto, nunca aparece descabelada, não dá gafe, não tem bafo, não ri fora da piada, não chora de soluçar, acorda linda, nunca ...
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Então, eu relembro que eu sou muito mais querida que me sinto. Eu tenho amigos bacanas, que também falam bacana, não me deixando sentir o peixe do lado do lado de lá do vidro. Existe gente grande na cidade pequena, sem paradoxos. E o tempo de descanso vira tempo de reflexão. E a suposta calmaria se transforma em confusão mental. O que não era tão bom se transforma no melhor de hoje em dia. Tendendo a voltar a ser o que era antes e o que é bom, mas nem tanto, pode ser o melhor de depois de amanhã. Se ficar o bicho come... As (in)decisões tendem para a zona de conforto. Entre parábolas, devaneios e notas mentais. Eu vou, mas eu volto.